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Colares Eletrônicos

Resolvi escrever um pouco mais sobre os colares eletrônicos, pois penso que é fundamental difundir um pouco mais o conhecimento da sua correta utilização e assim quebrar alguns mitos. Não sou um expert nesse assunto, pois não o utilizei muito, mas andei lendo algo sobre a base de utilização e estou repassando alguns comentários para vocês.

Como Funciona
O colar eletrônico é composto de uma caixa preta (ao redor de 10 x 5 x 5 cm e uns 200 g) fixada à coleira. Nessa caixa existem dois pinos metálicos (pólo positivo e negativo), um a 5 cm do outro. Na mão do condutor fica o controle remoto, que geralmente contém pelo menos 2 botões (um momentâneo e o outro contínuo) e ajuste de intensidade. Alguns colares contém mais botões, que apresentam outras funções, como por exemplo um Bip (sinal auditivo que pode ser utilizado para ser relacionado ao choque <-> ou à comida <+>, como um clicker).

Quando acionado o botão, o cão receberá uma descarga que pode variar dependendo da intensidade regulada. As sensações vão de um leve formigamento (leve incômodo) a um forte beliscão (dor) aplicados no pescoço, na região da garganta (onde a caixa preta se encontra).

Orientações Básicas
A primeira orientação sobre o uso do colar é não utiliza-lo para ensinar o cão, mas somente para polir o treino. Não se utiliza o colar durante a fase de aprendizagem, mas somente na fase de lapidação (polimento).

Comportamento Desejado
O cão deve saber exatamente o que o condutor espera dele. O cão deve ter um aprendizado sólido antes de se pensar em utilizar o colar.

Direcionar a Correção
Este talvez seja o maior problema do uso do colar. Com a guia, você pode perfeitamente direcionar a correção. Somente com o colar, não. Então, inicialmente, utiliza-se as formas tradicionais de correção com a guia até que o cão saiba perfeitamente como "fugir da correção". As primeiras correções com o colar devem vir associadas (simultaneamente) às correções com a guia, assim é possível dar direção ao comportamento seguinte à correção. Quem atropela essas etapas, arrisca ter o cão fugindo para outros comportamentos que não o esperado.

Colar Inerte (Dummy Collar)
É aconselhável o uso de um colar falso ou do próprio colar (porém sem ação) durante pelo menos 1 mês antes de aciona-lo pela primeira vez. Isso porque o cão não deve associar o choque ao uso do colar. Aqueles que se precipitam e acionam o colar logo nas primeiras vezes, estão arriscando a ensinar o cão: "Estou com o colar, tenho que ser obediente. Estou sem o colar, posso fazer o que eu quiser." O colar deve ser associado ao passeio. Antes de sair de casa, o colar deve ser atado ao pescoço do cão.

Foco
A regra básica é: Quando o cão estiver no foco desejado, tire imediatamente o dedo do botão. É fundamental que quando o cão estiver focando o condutor, jamais o botão deverá estar acionado.

Intensidade
Na primeira utilização, comece na menor intensidade até encontrar o grau de sensibilidade do seu cão. Ao encontrar a intensidade correta, ela deverá ser mantida por poucos treinos, somente para ensinar o cão a responder de forma exata. Ao atingir essa resposta, nos treinos seguintes, deve-se tentar diminuir até uma mínima intensidade que o cão responda positivamente. O que deve-se evitar é a dessensibilização do cão. Um cão dessensibilizado irá precisar a cada treino de uma intensidade maior para poder responder e isso acontece justamente quando o condutor não conhece os procedimentos básicos de utilização do colar. Temos que ter em mente que estamos treinando o nosso amigo e não numa seção de tortura.

Por falar nisso, outro ponto essencial é testar o choque em nós mesmos antes de utilizarmos no cão. Eu confesso que tenho muito medo de choque, mas ao sentir a ação do colar em mim mesmo, me deu uma noção maior de utilização. Isso soa algo estranho, mas é básico.

Dr. Raiser
Quando esteve aqui (junho de 2002), o Dr. Helmut Raiser nos passou uma noção básica de como ele utiliza o colar eletrônico na obediência. É uma maneira diferente. Ele utiliza o colar como uma forma de estimulação, gerando incômodo em contraposição ao impulso. Isso gera uma reação agressiva e uma velocidade de resposta mais rápida. Ele aciona o colar (apertando o botão contínuo) antes de iniciar o exercício e só alivia (tirando o dedo do botão) quando o exercício se encerra. Segundo ele, a intensidade deve ser o mais baixa possível. O objetivo é causar um leve incômodo e não dor.

Na Proteção
A idéia também é essa, gerar incômodo em contraposição ao estímulo e assim uma resposta agressiva. Nessa proposta, ele utiliza o colar na fase da guarda, no trabalho de latido. Acionado pelo colar, o cão se aproxima da barraca em agressão. Isso acarreta em um trabalho limpo e latidos ritmados e fortes.

Conclusão Final
Através desse artigo, acho que dá para ter a noção de que não é simples o uso de um colar eletrônico. Não é um brinquedo, também não é um aparelho milagroso que pode ser utilizado por todos os cães e para tudo. É somente mais uma ferramenta para auxiliar no treinamento em alguns casos específicos e com conhecimento técnico de causa e efeito. Na falta de conhecimento, gera comportamentos indesejados e danos irreversíveis ao cão. Mesmo conhecendo muita teoria, infelizmente acaba sendo necessário "labutar" para se chegar em conclusões práticas. Sem nenhuma teoria é melhor não utiliza-lo, para não se cometer atrocidades.

 

© 2005-2009 Rogério Sandoval Silveira - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS